Crônicas de Celso Cruz

Um blog dedicado a textos, crônicas e poesias de Celso Cruz.

14.1.09

Diários Secretos de um Sedutor - a peça - parte 3

 

(Continuação…)

 

Atrás de mim as portas se fecharam, estava no ventre do monstro hospitalar. Ao longo do corredor, por onde zanzavam enfermeiros, vários consultórios, pelos vãos da portas via médicos homens conversando com pacientes invisíveis. De repente, ela estancou e estendeu o braço para um consultório vazio e com as portas abertas. Entrei. Entramos. O que é a sorte? O que é o destino? 5414. Um simples número e aqui estávamos nós agora.  Sentados – eu com alguma dificuldade - um de frente para o outro. Será que ela tem hemorróidas? O pensamento zuniu. Nunca ouvi falar de mulher com hemorróidas. Mulheres tem coceirinhas, pruridos, corrimentos. Mulheres tem cistites, vaginites, no máximo fissuras. Doutora, desculpe a pergunta francamente idiota, mas não consigo me conter, mulheres tem hemorróidas? Ela abriu outro sorriso, mais discreto, certamente não foi pela pergunta (idiota, idiota e idiota), mas talvez pelo tom, ou pelo timing. Homens e mulheres são tão diferentes, continuei, ainda mais infame. Por isso mesmo brincam de mostrar as diferenças uns pros outros desde a mais tenra idade. Eu nunca brinquei, disse ela, fisgada. Eu brinquei muito, com primas, vizinhas – uma delícia, aliás, sinto a sensação como se estivesse lá agora. Entendo, ela soltou, também infame, esfriando a conversa. Mulheres e homens são muito diferentes, ela emendou, tão idiota quanto eu. Homens não penduram cuecas no box do banheiro. Mulheres não largam toalhas molhadas sobre a cama. Mulheres não peidam em público. Homens fazem xixi na tampa da privada. Mulheres jogam absorventes na privada. Homens não puxam a descarga. Os olhares faiscavam. Homens são desorganizados -  física e emocionalmente. Mulheres adoram organizar os homens. Você insinua que nós somos controladoras? Você quer dizer que nós somos cínicos e arrogantes? Homens só pensam naquilo. Mulheres só pensam na grana. Homens gostam de ser pobres, mulheres não. Se a gente não tem grana, mas os hormônios  estão no lugar, acho que dá pra ser feliz. Você diz isso porque não é médico. O segredo de um casamento feliz é encontrar sua alma gêmea financeira. Homens querem quantidade. Mulheres preferem qualidade – em quantidade. Mulheres tem medo de barata. Homens querem mulheres baratas. Homens só querem ter barriga tanquinho. Mulheres jamais deviam ter saido do tanque. Aquilo podia continuar a manhã inteira. Mulheres ficam muito tempo na relação, não transam mais, depois, num fim de tarde, deixam tudo pra trás e trepam com o primeiro que passa. Homens não passam de punheteiros. Mulheres são vacas. Homens são filhos da puta. Mulheres têm corrimento. Homens têm hemorróidas!

 

(Continua…)

criado por ciadaobesidade    16:45 — Arquivado em: Sem categoria

12.1.09

Diários secretos de um sedutor - parte 2

 

(Gostei da sugestão do Guilherme (não sei se foi por acaso, mas saiu em e-mail dele) de mudar o título do texto para Diários Secretos de um sedutor.  Agora, segue a segunda parte…)

 

Diários - parte 2

 

Você come pimenta? Não, não como. Pelo menos nos próximos dias você não vai comer pimenta. Acabei de ganhar de um cliente um pote de pimenta de bico! Nem vai chegar perto. É, tá certo, quem tá fazendo bico é meu ânus. É por aí. Mas me disseram uma vez que pimenta faz bem pra hemorróidas, principalmente a dedo de moça. Por enquanto, nada de dedo de moça - nenhum dedo de moça. Certo, certo. Tome cuidado com gorduras e evite frituras. Estou mesmo precisando. Eu posso jogar bola com os amigos, tem jogo hoje… (eu precisava enfatizar minha virilidade). Não, durante uns dias, não. Qualquer esforço, contrações excessivas, força demais, entende, vão piorar o quadro e, aí, você pode até precisar operar. Operar? Detesto hospitais e procedimentos médicos – excluindo você e seus procedimentos, certamente -  e pensar em. Calma. Tome o antiinflamatório. Cinco dias. Mesmo se melhorar. E passe a pomada. Tem corticóide. Ah… E faça banhos de assento. Banhos de… Assento. Você pega uma banheirinha (onde eu vou arranjar uma banheirinha), põe água morna e fica sentadinho nela uns dez minutos, umas duas ou três vezes por dia, alivia que é uma beleza. Evidentemente. E, se não melhorar, volte. Em que dias você  dá plantão? Ela soltou uma gargalhada rouca que atenuou meu estado de plena humilhação. Adoro mulheres que riem. Quando consigo fazer uma mulher rir, me considero um homem feliz. Trepar com uma mulher é muito fácil. Fazer uma mulher rir… Uma vez, na terapia, eu estava muito mal, muito mal, comecei a contar lá uns dramas da minha vida,  tudo num tom de blague, afinal ela, a terapeuta, ela era linda, e, então, de repente, ela riu, ela soltou uma tremenda gargalhada. Eu, na poltrona em frente, soltei um sorriso enigmático e experimentei a cura. Claro que o sentimento pouco depois me abandonou, mas, durante aqueles segundos, ele esteve lá, sim senhor, como estava agora, no consultório do hospital da zona sul, onde o destino me conduzira após uma noite de suplícios vendo tudo quanto é droga na tv porque o sono desaparecera, eu cheguei cedo no hospital, peguei a senha eletrônica, esperei lendo uma revista mulambenta, fui chamado ao guichê três, onde a mocinha, após conferir a carteirinha do convênio e minha identidade, perguntou o que eu sentia e eu, entre os pacientes do guichê dois e quatro, num tom audível, embora baixo, disse, em tom doutoral e blasé, com palavras cuidadosamente escolhidas, “acho que é uma crise de hemorróidas”, e a mocinha, sem tirar os olhos da tela do computador, repetiu em alto e bom tom,“hemorróidas”, “o senhor pode sentar e esperar o chamado pela mesma senha”. Sentei como pude. Alguns minutos depois meu número apareceu numa tela pregada na parede e as portas do abulatório se abriram. Levantei e vi, naquele vão, segurando certamente minha ficha, vi a deusa. Com passos evidentemente lentos, avancei.

criado por ciadaobesidade    9:37 — Arquivado em: Sem categoria

4.1.09

Olá, 2009!

Olá.

Bom voltar a escrever.

Esses 20 e poucos dias fora não estavam programados. Primeiro o Terra andou mexendo no blog e eu nem conseguia entrar na página. Aí deu um bode. Juntou com fim de ano e fiquei desplugado.

Aos poucos, com moderação, os posts voltarão.

Agradeço a todos que pediram novas mensagens. Em especial, minha tia Célia.

Que 2009 seja um ano maravilhoso para todos nós.

Lembro que, de 20 a 23 de janeiro, darei curso de férias na ESPM (SP), SOLTE O VERBO, sobre escrita e oratória. Quem quiser brincar com palavras é benvindo.

Em dezembro, além do texto Francisco de SP, que quem aparece por aqui acompanhou, desenvolvi, a pedido do meu querido irmão Guilherme Freitas, texto que será plataforma para sua primeira montagem solo portuguesa. O título de trabalho é CADERNOS SECRETOS DE UM SEDUTOR.

Começo publicando um trecho pra vocês. Aos poucos, como em nova novelinha, vou colocando outras partes (se bem que esse negócio de colocar partes nunca dá muito certo).

Bem.

Felicidades.

Beijos.

Fiquem com as primeiras páginas dos cadernos.

 

 

Cadernos Secretos de Um Sedutor

 

Linda. Loira de cinema. Caracóis caindo nos ombros. Olhos verdes, levemente delineados. O batom de um vermelho opaco, sutil, por onde, em flashes, passava um sorriso de dentes irritantemente perfeitos. Argolas douradas nas orelhinhas. Rosto de quem dorme bastante, ou de quem prefere dormir a se acabar nas baladas, ou perder as noites emendando filmes na TV, de sorte que a pele era puro pêssego, embora, comentendo uma indiscrição, apenas aqui entre nós, na intimidade, possa revelar que ela já passara dos 30. Não passara demais, nem mesmo muito, digamos que cruzara aquela esquina há pouco, e a cruzara sem percalços, fazendo muita ginástica, puxando um pouco de peso, temperando com ioga, o que lhe conferia curvas delicadas, magnéticas, daquelas de MonteCarlo, que James Bond percorre virilmente com seus Astons extraordinários, sempre pronto para enfrentar qualquer catástrofe. Essa era ela, com o barulhinho dos scapins sobre o piso frio. Um jeans de griffe, um decote meticuloso balançando na blusa, e a graça mítica do jaleco. Sim, o jaleco. O jaleco branco até o meio da coxa. A manga que se estendia justa para deixar passar a mão firme, desenhada por um Michelangelo, com unhas igualmente vermelhas foscas e alguns anéis igualmente de ouro. Uma mulher de ouro, que merece ouro, tiaras e colares e pulseiras de ouro, faiscando sobre almofadas vermelhas enquanto praticássemos as sessenta e poucas posições do kama sutra, adiando o êxtase definitivo. E quando ela dizia o meu nome, entreabrindo a carne dos lábios, batendo a língua no palato e nos tais dentes perfeitos, e aquela voz rouca, melhor dizendo, levemente rouca, quase sussurrava meu nome. Meu deus. Minha deusa. Minha deusa de jaleco, para fantasias da adolescência à melhor idade, para filmes pornôs e enfermarias da mais tenra infância, para tratar de amidalites. E então ela, por exemplo, soltava um suspiro e franzia, de modo quase indelével, a testa e sob a camada fina de maquiagem não havia como negar a ruguinha, que tornava o conjunto verossímel – dado impacto de tamanha beleza. Pois bem. Disse ela. Então disse meu nome. Eu. Você. Disse ela. Como você se sente. Bem. Eu me sinto bem.  No geral, muito bem. Agora, especialmente, muito bem. Tirando um detalhe. Um detalhe? Eu adoro detalhes, mesmo os que, como o detalhe do qual falamos, me incomoda, porque os detalhes propiciam encontros e, enfim, sempre fazem a diferença. Então. Começou com uma dor assim, uma dor, e então uma ardência e, então, bem, então. Ela me cortou: hemorróidas. É. Acho que hemorróidas, uma crise, digamos. O senhor. Pode continuar me chamando de você. Você tem hemorróidas. Nunca tive, acho que agora tenho, estou com, talvez. Vamos dar uma olhada. Vamos, quer dizer, a senhora… Pode continuar chamando de você. Você vai. Vou pegar umas luvas e já volto. Você me orienta, por favor, eu. Você vai até a cama e deita. Deito. Isso. De bruços? Como no ginecologista? De lado. Você deita de lado, olhando pra parede. Entendo. Não precisa tirar a calça. Não? Abaixe as calças até o joelho. Certo. Já volto. Tá bom. Enquanto a deusa saiu eu me aproximei da maca encostada na parede, soltei o botão da calça, o cinto, baixei a cueca – nova, limpinha, escolhida a dedo, e preta – e deitei-me como ela mandara. A porta se abriu. Eu olhava a parede. Imagine só o que é que ela olhava. Gentilmente, ela se aproximou e tocou minhas nádegas com aqueles dedos enluvados. Então, separou-as gentilmente e olhou. Realmente, você tem hemorróidas. A região está com um edema, por isso incomoda. Você tem dificuldades para defecar? Não. Esse problema às vezes causa esse tipo de dificuldade e quem já é ressecado. Nunca fui ressecado. Às vezes pode ocorrer sangramento. Entendo. Vou passar um antiinflamatório e uma pomada para uso local, depois você marca um proctologista. Foi uma emergência, por isso procurei o PS, eu quase já não conseguia andar, não ia marcar um procto pra daqui um mês. Sem condições. Posso vestir a calça? Por favor. Ela tirou as mãos da minha cintura, onde estavam pousadas durante os últimos minutos da conversa tão íntima, eu dei um giro rápido na cama e, enquanto ela dava dois passos para trás, subi as calças. Sente-se, ela disse. Fazer o quê? Sentei como pude, disfarçando o desconforto e cruzando as pernas. Com delicadeza e uma letra infantil, ela escreveu a receita. Enquanto isso, eu pensava em alguma coisa inteligente pra dizer, alguma confissão estúpida, tipo: nossa, um encontro com uma médica como você é a fantasia de dez entre dez marmanjos do universo e, quando o bilhete da loteria é premiado, olha só o que tenho pra mostrar pra você… Não. Péssimo. Pavoroso. O que será que pode ter causado as tais hemorróidas? Difícil dizer – ela lançou um olhar de soslaio, levantando uma das sobrancelhas desenhadas. Aqui só sai, pensei eu, o que será que ela está insinuando. Ou, pensando melhor, aqui quase só sai, porque, de vez em quando, muito de vez em quando, aceito um fio terra se a parceira assim o exigir, aliás ela tinha cara de que gostava de um fio terra, gostava de fazer e de levar, provavelmente, eu, ao menos, gostaria de fazer um fio terra com ela, não agora, não nos próximos dias, nas próximas semanas, meses ou anos, mas enquanto isso poderíamos estudar os estatutos do kama sutra. Como disse, vários podem ser os motivos, disse ela. Meu pai tinha hemorróidas. Não, não é genético. Pode ser a idade? Jovens também têm. Confesso que o comentário acabou comigo, que mal entrei na meia idade. Estou cansada de ver no consultório. E eu que pensei que fosse o único.

criado por ciadaobesidade    10:22 — Arquivado em: Sem categoria

9.12.08

Francisco de SP (Folhetim - Capítulo 13 -Mergulho)

 

Aí eu mergulhei nas águas tuas,
Meu velho Chico,
Como se voltasse pra barriga da mãe,
Paz almejada.
Silêncio das águas.
A redenção me vara.
Eu, Francisco, no berço do velho Chico,
Com a alma clara.
Então fiquei aqui.
Moro nessa toca.
Escrevo em folha morta com caco de pedra
Enquanto a vidra medra.
Quanto tempo faz, velho Chico?
Espelho dessa dádiva.
Areia tisnada.
A vida é um leito, uma trajetória, um fluir entre as margens?
Depois o esquecimento
Do agora.

 

FIM

criado por ciadaobesidade    19:37 — Arquivado em: Sem categoria

Francisco de SP (Folhetim - Capítulo 12-Cântico)

 

E cantava:

Louvado, senhor, louvado
Com todas tuas criaturas
Irmão sol que clareia o dia
Irmã lua no céu estrelado
Louvado, senhor, louvado
Irmão ar sereno ou irado
Irmã água nas grotas e grutas
Irmão fogo que alumia
Louvado, senhor, louvado
Irmã terra que nos sustenta
Com frutos, flores e ervas
Quando chove e quando venta
Louvado, senhor, louvado
Irmão que perdoa por amor
E aquele, por outro lado,
Que suporta tanta dor
O que mesmo aí tem paz
Será por ti coroado
Louvado, senhor, louvado
Irmã morte que nos parte
Conforme tua vontade
Sirvo a ti com humildade
Senhor, louvado senhor,
Esta é a tua arte:
Amar além do amor

 

(Continua…)

 

criado por ciadaobesidade    7:13 — Arquivado em: Sem categoria

Francisco de SP - Folhetim - Parte 11 (Carismas)

 

Irmã Clara.
Aí, numa manhã, veio a primeira chaga.
Um talho no peito de cada pé.
Aquilo sangrava.
Aí veio mais chaga.
No meio das mãos um chico jorrava.
Aí comecei a vomitar palavras em línguas de outrora.
E ao redor de minha testa, outros talhos, tiara.
Como se a coroa do rei ali houvesse estado.
Como se eu fosse um escravo crivado.
Então eu dancei.
Palhaço de Deus, enlevado.

 

(Continua…)

criado por ciadaobesidade    6:53 — Arquivado em: Sem categoria

8.12.08

Francisco de SP (Folhetim - Cap. 10 - Irmãos)

 

Foi o que eu fiz.
Subi a Canastra.
Rocei nas rochas.
Nas brenhas.
Nos rachos.
E cheguei na beira.
Fui criando crosta.
Quase não comia.
Acompanhava o sono do lagarto.
Quase não dormia.
Virei irmão do pó e da pedra.
Do sol e da lua.
Como no DVD.
Irmã vida, irmã morte.

(Continua…)

 

criado por ciadaobesidade    15:36 — Arquivado em: Sem categoria

7.12.08

Francisco de SP (Folhetim - Cap.9 - A Fuga)

 

Baixou polícia e me levou. Dá delegacia fui parar na clínica onde me internaram. Eu e um monte de drogado e maluco. Fui calando a boca, num canto, futucando reboco, na minha. Aí foram me largando e eu fui fazendo o jogo deles. E pra tudo sorria. Sorria. E fui ajudar na enfermaria. E tratei dos enfermos. E fiquei amigo dos amigos na mesma. E eu lavava ferimento. E eu conversava. Levava a palavra. Senhor, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado. Eu lambi ferida. Eu comi ramela. Eu sempre sorria. Eu também cantava. Senhor, fazei que eu procure mais. E um dia, um domingo, de festa, famílias, amigos, um dia, sem que percebessem, eu fugi. Eu roubei trocados e fugi. Fui pra rodoviária. Tomei um busão. Minas. Aqui eu sumi. Aqui mergulhei no esquecimento. Ninguém me achou. Jamais. Fui me imiscuindo. Trabalhei nas obras. Nas comunidades. Uma vida clara. Voltei a fazer festa. Fui do Moçambique e Congada. Capitão da festa, com a farda branca, imaculada. Conheci um Chico, vidente, cavalo. Recebia espírito e me disse, um dia, que eu me lavasse na nascente do rio São Francisco, ganhando a graça de Clara.

 

 

 

criado por ciadaobesidade    20:49 — Arquivado em: Sem categoria

Franciso de SP (Folhetim - Capítulo 8 - Acordei!)

 

Acordei em casa, na cama, com febre.
Alta.
Falta.
De ar.
Clara.
A dor não sara.
Não saía mais de casa, pouco da cama. Só tomava sopa rala. Mal chegava na sala. Eu fui perdendo tônus, musculatura.
Tomei tanto antidepressivo. Parei. Deu rebote. Cortei os pulsos. Parei de novo no hospital. Tentei um pico. Bobagem. Falaram dum templo no centro, duma Igreja de crente. Bobagem.
Veio um padre italiano, amigo da família.
Gostei do velho.
Contei pra ele minha história. A história de Francisco e de Clara.
E ri.
Ele voltou no dia seguinte com um livro grosso com a história, as rezas, os cantos de São Francisco.
Me confessei com o padre, que perdoou meus pecados.
Tomei metrô e desci na Paulista. Na esquina com a Augusta, no meio da rua, esperei abrir o farol e deitei na pista. Tudo parou. Aí me ergui e fui tirando a roupa. Minha calça diesel, minha camisa cara, meu sapato, a meia, a cueca, fui ficando nu.
Fiquei.
Peladão.
Lá.
Ria.

 

(Continua…)

criado por ciadaobesidade    8:13 — Arquivado em: Sem categoria

6.12.08

Francisco de SP (Folhteim - Capítulo 7 - Revolta)

 

Acordei, na UTI, três dias depois, e Clara… E Clara… já tinha sido enterrada.
Porra, puta qui o pariu, caralho!!!!
E os bandidos, porra, e os bandidos?
Você matou dois, na mão, na porrada.
E o terceiro?
Esse fugiu.
Fugiu.
Fugiu.
Fugir.
Fugi. Clara, Clara, Clara cadê você meu amor, tipo, assim, cadê, cadê?
Caralho, Clara.
Chorei ali na cama.
Você escapou por milagre.
Milagre um cu.
Tomou três tiros a queima-roupa. Um foi no peito. Outro na coxa. Outro no pé.
Foda-se.
De 765.
Caguei. Quero Clara.
Clara se foi.
Foda-se. Foda-se.
Apaguei.

 

(Continua…)

criado por ciadaobesidade    8:11 — Arquivado em: Sem categoria

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