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Geometria
Cheguei em Recife no domingo à noite, chovia muito, tomei um táxi e fui pro hotel em Boa Viagem, a duas quadras do mar. O quarto dava pra avenida, quinto andar, o moço que carregou as malas ligou imediatamente a TV, mostrou os canais por assinatura, deixou a tela ligada e foi embora. Sozinho. Gripe pegando, corpo doído e fiapo de voz. Botei camisas nos cabides, desci pro restaurante vazio, sentei longe do ar condicionado, examinei o cardápio e pedi um filé de peixe no azeite, deitado sobre cama de tomates, pimentões e páprica doce. Entrou outro sujeito, que também devia estar ali a trabalho, sentou em mesa distante, mas de frente pra mim e bem debaixo do ar. Também fez pedido. Logo chegou meu suco de laranja e o antepasto. Manteiga, pasta de queijo, azeitonas preta, cubos de presunto e pedaços de pãezinhos com manteiga salgada aquecidos. Os pães estavam bons. Tomei o suco de laranja sem gelo. Chegou o antepasto do outro homem. Uma loira entrou no restaurante e sentou-se em mesa distante, dando as costas para os outros dois clientes e determinando um rigoroso triângulo eqüilátero. Ela também leu o cardápio e fez seu pedido. Um garçom veio da cozinha com meu prato. O peixe acompanhava arroz branco e purê de batatas. Não gosto de comer sozinho. Devoro ainda mais rápido do que de costume minha refeição. Experimentei diminuir cada bocada, mas a situação no restaurante me constrangia. Estava pelo meio do peixe quando chegou o prato do outro homem. Estiquei o pescoço e conferi que ele pedira frango. Antes que seu pedido chegasse, ele devorou o cesto de pães e as azeitonas. Eu deixei bastante do meu couvert. Logo chegou o prato da moça, que não consegui determinar. Comemos, os três. Terminei primeiro. O garçom perguntou se queria sobremesa. Pedi a conta. Assinei-a e subi para meu quarto. Fui ver o Fantástico.
Remédio
Lá pelas onze e meia desliguei a TV. O barulho que veio da rua era infernal. Por isso o rapaz das malas ligara o aparelho rapidinho. Vi se a janela tinha vedação. Não tinha. Puxei as cortinas. Tomei um Resprin. Ao invés das 20 gotas do meu remédio antroposófico, tomei 25. Mais 3 comprimidos de estressedorum. Liguei pra recepção e pedi pra ser chamado às seis e meia. Virei pro lado e dormi.
Manhã
Acordei quinze minutos antes da chamada do recepcionista, que tinha sotaque inglês. Estava quebrado, a garganta doendo. Tomei dois copos de água do frigobar e espirrei mel com própolis na garganta. Fiz a barba. Tomei banho. Me vesti. Desci pro café. Tinha até carne de sol. Comi mamão e jarro de café com leite. Fui até o auditório onde, daqui a pouco, começaria meu curso. Pedi pro técnico um microfone. Verifiquei o datashow. Fui pro quarto escovar os dentes.
Curso
A turma tinha 29 alunos. Gente maravilhosa. De Recife, Aracaju, Salvador, Goiânia, Maceió... No grupo, apenas 5 mulheres. Idades entre 19 e 50 anos. Todos muito gentis e participativos. Graças a eles, considero que o trabalho foi maravilhoso. Eles toparam todos os jogos, exercícios, brincadeiras e teorias que lancei. Exigiram de mim e deles mesmos. E se superaram. Escreveram, fizeram cenas, dialogaram. Fazer um curso assim sempre me alimenta, me faz bem, mesmo que, dessa vez, eu não estivesse com a melhor das formas físicas. Aliás, abri o curso já me posicionando e, graças à compreensão deles e ao ambiente do hotel – a sala com boa acústica, os aparelhos funcionando, os coffees nas horas combinadas e o apoio sensacional da empresa patrocinadora, que marcou presença com representante paulista de seu RH – tenho a certeza de que o curso foi maravilhoso. Agradeço a todos. Abraço todos. Valeu!
criado por celsocruz
20:13:05