Crônicas de Celso Cruz

Um blog dedicado a textos, crônicas e poesias de Celso Cruz.

24.3.09

Silêncio

Um fio. Do meu umbigo. Até o teu umbigo. Do teu, até um outro. E desse outro, toda uma teia. Às vezes, é fibra ótica. Outras é gato, só gambiarra. Umas é novelo, desses de vó, que fazia gorros e malhas de lã que pinicavam e acabavam encostados no guarda-roupa. Outras é traço de lápis daquele estojo com 36 cores que você jamais teve nas mãos. Outras é baba, é mijo, é porra e outras secreções inomináveis. Às vezes grosso como a rabisqueira que você faz com a bic na caderneta enquanto telefona. Outras é tênue, um quase nada, vapor barato, desenho velho em cartolina que um dia encontra na casa da mãe. Também é lágrima e fantasia de lágrima sobre o traçado em que ela baila, grogue, pelas ruas de São Paulo. Enfim, me calo.

criado por ciadaobesidade    16:00 — Arquivado em: Sem categoria

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