Crônicas de Celso Cruz

Um blog dedicado a textos, crônicas e poesias de Celso Cruz.

4.12.08

Franciso de SP (Folhetim - Capítulo 4)

 

Gosto de bicho, disse Clara. Gosto de todo tipo. Mas eu gosto mesmo é de cães. Os cães são bonitos. Os cães são fiéis. O que são os olhinhos de um cão, quando você chega, de madrugada. O cão que se aninha no seu colo, e que até parece gato. O cão que lambe as suas mãos. O cão que lambe o seu rosto. O cão que se enrosca em suas pernas. O cão que brinca com você. O cão que pula na sua cama de manhã. O cão que de repente levanta o focinho e espreita sabe-se lá que espírito que passou por aí. O cão que levanta as orelhas. O cão que estende a patinha. O cão que te pede comida. O cão que abana o rabo. O cão que gane pra lua. O cão que late pra quem passa. O cão que gira que nem bobo. O cão que balança a língua. O cão devorando a ração. O cão bebendo água. O cão saltando no colo. O cão viralata. O cão rotweiller. O cão que mistura rotweiller com viralata. Eu tive um desses que amava uma cadela salsichinha. Eu não gosto muito de gente. Eu gosto mesmo é do cão. Disse Clara.

 

 

criado por ciadaobesidade    23:08 — Arquivado em: Sem categoria

Pausa 2

 

Eu não consigo chorar.
(Mas eu conheço uma técnica respiratória que em menos de 30 segundos deixaria qualquer um chorando copiosamente, e se você,por exemplo, entrasse no quarto e visse a cena, eu encharcando a gola do pijama, o travesseiro e o cobertor, você compreenderia, creio eu, a extensão da agonia.)

 

criado por ciadaobesidade    22:56 — Arquivado em: Sem categoria

Francisco de SP (Folhetim - Capítulo 3)

 

 

Clara.

É. Parece filme. Pura coincidência? Vida tem dessas coisas?

Eu era um cara assim, ó: Tipo, assim, então, cara, vamos aí, meu, naquela balada, tipo? Clara era uma cara tipo assim: então, tipo, vamos.

 

Ela gostava de Vodka. Vodka com gelo. Ela gostava de ecstasy. Ecstasy com vodka. Ela gostava de dança. De dança e balada.

Ela era miúda. Ela quase não comia. Ela vomitava. Ela era magrinha.

 

Clara. Na madrugada.

Eu me apaixonei.

Lembrei daquele filme, Irmão Sol, Irmão Lua, que vi no DVD na casa do meu pai, eu era um pivete, um filme água com açúcar, a história do santo e da santa. Francisco e Clara.

Contei pra Clara: Clara, você, tipo assim, sacou a coincidência? Ela: Então? Eu: Teu nome e o meu, Francisco e Clara. E aí?

 

Clara era filha de banqueiro, passava o verão na Itália. Conhece Assis? Interior de São Paulo, uma amiga tem um haras. Não, Itália. Milão, Roma. Assis, terra do santo. Francisco de Assis e Clara. Clara de Assis. Santa Clara.

Então. Não conheço. Disse-me Clara.

Não acredito.

Então.

Já reparou como aqui no Brasil tem tudo que é Chico. É Chico Buarque. É Chico César. É Rio São Francisco.

E ela: nossa… É mesmo. Tem Chico Bento.

Tem Chico Anísio. Tem Chico Xavier.

Eu tô de Chico, disse-me a Clara.

E quando vimos, assim no papo, é que começamos a namorar.

Clara era gata. Clara era tudo.

 

Gostava de mergulhar na paixão enquanto escutava a gargalhada irada de Clara.

 

 

(Continua…)

criado por ciadaobesidade    10:48 — Arquivado em: Sem categoria

Pausa

 

 

Para a memória do corpo que pulsava sobre o teu.

Para alargar o silêncio da abstinência.

Para o olhar que só o cão compreende, acorrentado no fundo do quintal.

 

 

 

 

 

criado por ciadaobesidade    6:46 — Arquivado em: Sem categoria

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