Crônicas de Celso Cruz

Um blog dedicado a textos, crônicas e poesias de Celso Cruz.

25.11.08

Suinocultura

 

Ele fedia como um porco. Eu evitava me deitar com ele. Eu deitava mais cedo. Acordava antes. Ele fedia como um porco. Eu inventava desculpas. Eu desviava o assunto. Fingia cansaço. Ele fedia. Às vezes não tinha jeito. Eu me deitava com ele. Eu inventava fantasias. Desviava seu rosto. Fingia que gostava. Ele. Ele eu acho que gostava. Como um porco. Eu não gostava dele. Eu não gostava mais dele. Acho que um dia eu gostava. Eu não lembrava mais dele. Dele no tempo em que eu gostava. Ele fedia como um porco. Eu fazia tudo muito rápido. Depois me lavava no banheiro. Eu escovava bem os dentes. Tudo depois que ele dormia. Ele dormia como um porco. Ontem ele chegou pro meu lado. Esboçou um tipo de abraço, com aquele corpo de porco. Eu disse você fede como um porco. Ele apertou os olhinhos, exatamente como um porco. E grunhiu longamente, como se eu espetasse um facão no seu sovaco de porco, como meu pai fazia na chácara, quando eu era criança, com os porcos do nosso chiqueiro.

criado por ciadaobesidade    20:47 — Arquivado em: Sem categoria

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