25.11.08
A Bela da 25
Toda terça, após deixar as crianças na escola, ela deixa o carro perto da estação, numa ruazinha com vigia, pega o metrô, faz baldeação na Sé, salta na São Bento, desce a ladeira e cai no mundão da 25, onde vem refazer estoque, comprar matéria-prima, buscar pechinchas e observar tendências. Tem fornecedores certos, lojas em que bate cartão, invariavelmente volta com dois sacos enormes com tecidos e bugigangas. Aproveita também, com júbilo sempre renovado, para pegar o minúsculo elevador art deco de um pequeno prédio comum, espremido entre os outros, com um sem número de comerciantes se amontoando em antigos apartamentos, e descer, já sozinha, no oitavo andar, onde ao fim de um corredor escuro, abre a porta do oitenta e sete sem jamais tocar a campainha. Lá, ele a espera, e em silêncio estende a mão que, agarrada, conduz a bela até a cama de um solitário quarto pequenino. Sobre poltrona surrada ela pousa, dobrados, saia e blusa. Ao lado, repousam as sacolas. Nem tira as botas. Ele se despe sossegado, espalhando roupas pelos cantos. Franzindo a colcha azul pálido, os dois consumam furiosamente o ato. Ela volta a tempo de pegar as crianças.


criado por ciadaobesidade
15:00 — Arquivado em:
Comentário por gui — 26.11.08 @ 9:26
nossa ,só de botas ,suei frio rs