20.11.08
Morte súbita
Não lembra mais como isso começou? Não sabe mais nem como veio parar aqui? Ela segura as bordas da cama, os braços jogados para trás, o rosto fatiado pelo fim de tarde que entra pela janela. Cabelos esparramados pelo travesseiro e pelos lençois brancos. O torso branco. Os seios nus. Bicos rosados. Calcinha branca. A perna direita que se dobra, fingindo esconder a sombra dos pelos púbicos. Os dedos do pé esquerdo se esticam e contraem. O telefone toca, toca, toca, lá na sala. Ela não esboça outro gesto. Nem sorri. Então volta o silêncio. Enfim, um suspiro vira sorriso. Com a boca, você vai beber direto na fonte. Até o gemido. Até o grito seco, curto, groso. Agora, de volta ao silêncio, percebendo os olhos fechados da noite, começa, lento, o seu fim.
Para Philip Roth


criado por ciadaobesidade
14:47 — Arquivado em:
Comentário por Ferdi — 21.11.08 @ 20:08
Nossa que lindo
Parabens e sucesso
Comentário por Pedro — 23.11.08 @ 0:09
Para Celso Roth.
Comentário por Jean — 24.11.08 @ 14:30
Legal seu blog. Ótimas poesias.
O meu: http://www.zabazuba.com