1.10.08
Carta para W.B.

Querido Walter,
Já dizia o Polônio no Hamlet. O importante na vida é estar pronto. E se não dizia exatamente isso era quase isso. Pois é. Estamos aí pro que der e vier. Ou, como diz o Dill, estamos aí principalmente pra quem vier e der. O espetáculo, enfim, chega à estréia.
Você sabe como a gente ralou pra chegar aqui. Catorze meses. Quanto rolo, quanta crise. Perdas e danos. Negócios e oportunidades. Chegamos aqui muito unidos. Focados. Tesudos. Cada vez mais apaixonados por suas idéias, sua vida, sua paixão pelas idéias e pela vida.
Os meninos, Dill e Marcão, estão prontos pra surfar suas ondas. Com alegria e emoção.
Claro. Temos ajustes a fazer. Amanhã vai ser aquele rolo pra fazer luz, montar as coisas, cuidar da técnica. Delícia resolver cada etapa. Pra oferecer pra platéia a beleza de tuas idéias. E das idéias do Brecht, do Kafka, do Steiner, da Arendt… Ufa!
Walter Benjamin, obrigado por acompanhar e inspirar nossos passos.
Desejamos muito que nosso espetáculo seja veículo pra que você seja ainda mais conhecido, lido, estudado, admirado.
Desejamos que nosso trabalho toque com delicadeza a mente e o coração dos espectadores, chama da vela em tempos tão… Estranhos? Sombrios? Cintilantes?
Que xadrez de idéias e estrelas!
Que vertigem!
Quantas trilhas de rosas semeadas de pensamentos. Ou será justamente o contrário?
Foram 20 e tantas versões de texto. Fomos limpando, limando, chegando no osso e na medula.
Uma história de afetos. De sentar na beira da cama de quem a gente ama e esperar esse alguém dormir. De contar histórias. E de cuidar de quem a gente ama.
História de anjo da guarda.
Que ruínas deixaremos para nossas crianças?
Nessa longa passagem paulistana, eu te agradeço.
Espero que muita gente apareça.
Que as pessoas gostem.
E que possamos compartilhar a magia do teatro.
Grande beijo.
Celso


criado por ciadaobesidade
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