5.9.08
Texturas
Gostava de calcinhas confortáveis, mãos perversas e pouco papo. Quando um dedo decidido afastava o elástico da pele, dando espaço para que a mão inteira se esbaldasse, ela soltava um risinho sabido e, discretamente, abria um pouco mais as pernas, numa ajuda gentil, em boa hora. Gostava também de lambidas sobre o algodão, mordidas em reentrâncias estratégicas, pudicamente escondidas sob a estampa. Coisinhas pueris e meio bestas: moranguinhos, flores, corações se alastrando pela bunda. Ou dentes roçando a renda, eventualmente, em noites muito específicas, quando, abandonando preferências, escolhia peça cavada, fio-dental, muito mínima. Talvez uma seda. Ao invés de arrancar a lingerie ou deixar que alguém a arrancasse, preferia afastar a borda lateral e, num fluxo gentil, sob o comando das mãos cortesãs, conduzir o outro de encontro a si, curtindo asperezas da coisa.


criado por ciadaobesidade
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