28.8.08
Separações
1.
Então eu dei a mão direita pra ela, que com seus dedos pequenos, de unhas vermelhas lascadas, agarrou meu polegar. Assim, atravessamos a Paulista na faixa para pedestres. Chegando ao Center 3, nos separamos.
2.
Ergueu o indicador como um João Batista do quadro de Leonardo - e com aquele mesmo sorriso besta -, mas apenas roçou uma mecha de cabelo na minha testa. Suspirou, virou as costas, partiu.
3.
Mãos longas e suaves de violonista, com pequenos calos nos dedos, unhas grandes e bem aparadas. Mordeu o cantinho da cutícula do dedo médio e me mandou para a putaquipariu, de onde quem ama jamais devia ter saído.
4.
Já tinha feito de tudo, mas as unhas continuavam roídas quase até metade dos dedos, então tratou de esconder as mãos nos bolsos do casaco do momento em que ele chegou até a hora em que, definitivamente, foi embora.


criado por ciadaobesidade
19:09 — Arquivado em:
Comentário por El Cid — 29.8.08 @ 17:18
Quando eu era pequeno, a mãe de uma menina da minha classe passou cocô de galinha nos dedos dela pra ela parar de comer a unha. Na outra vez passou pimenta. Dessa vez todos nós demos lambidinhas nos dedos dela. Dias depois lambemos os braços. Em um mês já estávamos lambendo o pescoço. Ler teu texto me fez lembrar da Maria Alice, aliás Maria Pimenta!