Crônicas de Celso Cruz

Um blog dedicado a textos, crônicas e poesias de Celso Cruz.

25.8.08

Época

 

Tanta amora pisada naquele trecho molambento da calçada.
Uma ou outra ainda resiste quase inteira.
Guarda noturno comeu um monte.
Senhor muito distinto chegou a trepar na árvore.
Um pirulão, ali debaixo dos galhos, catou frutinhas pra duas crianças se lambuzarem.
Uma moça parou o carro, desceu e colocou montinho num saco de supermercado.
Veio cachorro lamber o chão todo tinto.
É época.
Árvore quase nua.
Mais umas frutinhas lá em cima.
Algumas ainda verdes, podem dar dor de barriga, dependuradas.
Daqui dessa janela, dessa cama, detrás da máscara, ligado ao tubo, deixo a vermelhidão borrar meus olhos.

criado por ciadaobesidade    17:43 — Arquivado em: Sem categoria

4 Comentários »

  1. Comentário por Mini-Crítico — 27.8.08 @ 2:28

    Extrema e bonitamente triste, eu diria, usando uma palavra que talvez nem exista.

  2. Comentário por Mini-Crítico — 28.8.08 @ 1:47

    O texto nem é sobre melancia, mas tem uma melancolia…

  3. Comentário por flá — 28.8.08 @ 18:08

    xd

  4. Comentário por Gusta — 9.9.08 @ 19:13

    Cara, bem bonito.

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