18.8.08
Guerra e Paz
1.
As crianças catam seixos lisos e pequenas conchas vazias na areia grossa da praia. Torvelinho de espuma na crina da água pra lá de gelada. Os pés afundam na beira, enovelados nas algas. Os olhos costuram verdes e azuis no horizonte. Rochas expostas nesta hora do dia. Rumor das gaivotas. Rastros do bando na areia. Rasante de uma delas pertinho da minha cabeça. Réstia de sal em braço moreno. O corpo que emerge sorrindo. Carícia solar. Um vento. Gotas nos cílios. Não há nuvem.
2.
A corrente que sobe pelas pernas, vinda dos pés fincados na areia, serpenteando, passa pelo cu, que se contrai discretamente, para continuar subindo, a partir do cóccix, vértebra por vértebra, além da cervical, até estourar em algum canto do cérebro num gozo feliz, um breve sorriso, feito a alicate, para que você sorva seu ódio, pois mesmo aqui, em pleno paraíso, agora, você garante aos deuses que fará da vida de quem por você se afeiçoa uma estação do inferno.


criado por ciadaobesidade
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