Crônicas de Celso Cruz

Um blog dedicado a textos, crônicas e poesias de Celso Cruz.

24.7.08

Forcado - touro a unha.

Na tourada portuguesa, os toureiros enfrentam o touro montados em magníficos cavalos. São auxiliados por dois homens que, com capas cor de rosa nas mãos - e sem os cavalos - preparam o bicho para a grande estrela. Cabe ao toureiro fazer grandes manobras com sua montaria e picar o touro com bandeiras. Sangrando, o touro, com seus chifres serrados, não tem como furar seu oponente, mas pode derrubá-lo com seus mais de 500 quilos. Todos torcemos para isso. Depois de fincar suas pequenas lanças no animal, o toureiro, ovacionado pela multidão que se acotovela nas arquibancadas, sai da arena em glória. Então, pulam para o círculo de areia os forcados. São oito homens vestidos como servos em vermelho e verde e que, nas mãos, carregam apenas um gorro. Fazem uma fila indiana. O homem da frente se distancia um pouco do grupo e chama a atenção do touro. Com as mãos na cintura e postura ereta e viril, ele provoca o bicho: Ei, touro, touro! O animal e o homem, olhos nos olhos. Mais provocações. Finalmente, o touro resolve investir contra o forcado que, por sua vez, abre os braços para receber a fera. O touro vem com tudo. Choque. O forcado agarra a cabeçorra do touro, que o arrasta como um trator. Os outros forcados vêm em auxílio do rapaz. Se a pega é boa, o rapaz resiste agarrado nos chifres e na cabeça, enquanto os outros agarram o resto do corpo do bicho. Um forcado segura o rabo do animal. O embate persiste até que o touro pare. Então, o grupo larga a fera - menos o rapaz que segura o rabo. Caberá a ele domar os últimos laivos de fúria do touro. Com os pés fincados na areia e as mãos no rabo, ele funciona como a ponta seca de um compasso, pois a fera gira ao seu redor até, enfim, estancar, cansada. O rapaz então larga o touro e se reúne a seus colegas. A platéia aplaude. O líder dos forcados tem sangue do touro no rosto. O grupo sai da arena. O touro fica só. Vacas são colocadas na arena para conduzir o touro novamente para o ventre do estádio. O animal não é sacrificado.

(texto escrito em lan house de Póvoa de Varzim, Portugal, com a ajuda de meu filho Pedro, sentado em meu colo, alguns dias depois que assistimos a uma tourada com minha esposa, meu outro filho, João e meu irmão, Fábio, que mora aqui há 12 anos e sabe muito bem o que é agarrar touro a unha.)

criado por ciadaobesidade    9:28 — Arquivado em: Sem categoria

4 Comentários »

  1. Comentário por gui — 24.7.08 @ 16:28

    ETA UMA TOURADA!!!!
    DEVE TER SIDO UMA BELA EXPERIENCIA

  2. Comentário por Paula — 24.7.08 @ 17:25

    Espero que seus filhos tenham se sensibilizado com o sofrimento desnecessário desses animais.
    O ser humano me envergonha.

  3. Comentário por Gabriel — 25.7.08 @ 21:17

    Belo texto professor…
    como não sei se você já viu, segue o link do trailer do novo filme do justiceiro…
    agente se vê semana que vem…
    abraços

    http://www.omelete.com.br/cine/100014029/Punisher__ATUALIZADO_.aspx

  4. Comentário por Camilo Aparecido Almeida — 26.7.08 @ 11:15

    tomara que o ser humano arrume outros meios de diversão , e não machuquem os animais,texto muito bom, sempre devemos sair com nossos filhos ,as crianças crescem e quando nos olhamos elas ja são adultas , a deixamos de aproveitar aquele momento,grande abraço Camilo Cidade de Registro-SP

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