5.7.08
Caminho dos espÃritos
Quem ficou para trás?
Quantos são os caminhos?
Separações.
Vidas.
Eram cidades antigas, boulevares, prédios baixos.
Eram arrabaldes, arredores, terrenos baldios.
Ali, iam construir um novo bairro.
Canteiro de obras.
Para lá, o zoológico.
Naquela direção, a torre é construída - será pico de aço, antena captando minhas emoções no futuro.
Les Invalides.
A imensa avenida.
Clínicas, hospitais, cemitério, jazigos.
O túmulo de Beckett, cápsula de mármore negro,
como o monolito de Kubrik,
com uma rosa vermelha, recém-colhida, sobre o tampo.
Sair dali correndo.
Lojas de pedras e túmulos, um labirinto.
Chegar até a beira do rio.
Atravessar com o coração na boca,
respiração afogada.
Depois do rio, olhei pra trás e vi o recorte de todo aquele caminho.
A torre, a torre.
Procurei refúgio em algum canto.
Ali, ali em cima, o sagrado coração, branco brilhante.
Ao lado da escadaria que sobe para a Igreja,
um museu.
Entro.
Museu de arte bruta.
Arte dos loucos, dos surrealistas, de quem não cabe em lugar nenhum.
Breton, Artaud, gente de asilos e hospícios.
Ali, enfim, sosseguei.
E chorei.
Naquele porto em meu caminho dos espíritos.


criado por ciadaobesidade
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