14.6.08
Notas do Velório 2
Na conversa, Tosca disse que, há alguns anos, enquanto fazia um tratamento dentário, costumava ao sair do dentista freqüentar o cinema nas tardes vazias. “Aquele cinema, lembra, na Paulista com a Brigadeiro?” Ali, ela vira quatro vezes o Othelo do Zefirelli. “Um gênio!” Numa dessas tardes, por acaso, encontrou seu primo – meu tio, o querido parente que velávamos e que, na época, tinha consultório médico perto da Pamplona. Os dois, carcamanos apaixonados pela ópera e pelo cinema, assistiram juntos ao filme do italiano. O cine Biarritz ficava na Paulista com a Brigadeiro, passava clássicos em reprise e, no finzinho de sua existência, apresentava pornôs. Fechou tem no mínimo 15 anos, assim como o Cine Paulistano, seu vizinho, na galeria ao lado. No fim da sessão, Tosca e o primo despediram-se carinhosamente, felizes com aquele encontro tipicamente paulistano. No velório, Tosca me disse que hoje em dia também vai cada vez menos ao cinema.


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