27.4.08
1. Cidade-lixão. Mendiga fuça. A gangue ataca. Um abre pernas. Outro mete. Aí revezam. Depois se mandam. A mendiga se arrasta. Chega o homem-casa, abre clareira no entulho. Tira do saco bacia e despeja água da garrafa plástica. Lava pés, xota, rosto da mina e penteia seus cabelos.
2. Por quê você não veio na cadeia antes me ver? Não pude! Seis Meses… Tô Grávida! Quem é o filhadaputa do pai? Não sei. Vou sair daqui e te mato.
3. Dentro do lixão você me perseguia cão raivoso no calcanhar aí você trupicou e eu ganhei distância e fugi e aí num canto debaixo duma luz azul sobre um saco de lixo preto eu pari.
O neguinho bombava sua buça com perícia inusitada. Levantou ligeiramente a bunda, ajeitando um encaixe de púbis supimpa. Gemeu. Um nome feio. Um "me fode". Gozou de se mijar. Sem mover um músculo da face. Nem estragar a chapinha japonesa consumada meia hora atrás no salão onde cruzara aquele verdadeiro artista que, aliás, também gozava, um ronco grosso, no vão das pernas bem depiladas para a festa do seu primeiro aniversário de casamento.
O estofado desse sofá precisa de reforma, a estampa está fora de moda, esse vermelho, essa mancha fui eu que fiz, eu e ele, meus pais dormiam, que nem agora, a gente transou, rapidinho, sempre gozo com ele, juntinho, será que ainda demora pra ele acabar de matar os véio?
Seu Manuel dorme no táxi, roda a semana, só vai pra casa no domingo e olhe lá. Teve dois filhos. Uma chácara. Os moleques começaram com esse negócio de droga, foram pra bandidagem. Um morreu em treta de tráfico. Outro também levou bala, tá paralítico, no cadeião. Seu Manuel precisou vender tudo. Seu Manuel dorme no táxi e já comprou outra casa.
Fosse Herodes, matava. Madama, ignorava. Desnaturada, abandonava. Mas só pego dos Hospital - Belém, Marília, Osasco - e trato de criar. Dou nome, endereço, colo. Nem deu tempo das outras pegar carinho. Nem me vem com programa do Datena, DNA. Mudo penteado, depilo sobrancelha, troco de batom, ponho brinco grande. Fujo com meus filho pro Jd. Egito.
Devo de tá engraçado nessa meia-calça (da minha mina), só os olho de fora no gorro do Timão (sou Porco), mais esse porrete (cano com pau dentro), do jeito que o pai me olha antes que eu arregace a cabeça dele (morre sorrindo).
Minha mãe juntou cada trocado que vendeu de Avon e Natura, mandou fazedr aqui no fundo esse estúdio maneiro, revestimento acústico de caixa de ovo, não incomoda vizinho, uns amp legal, dá pra tirar um som irado, mais uns pc zoado, dá pra gravar as demo, ainda sobrou espaço pra fazer uns convers, arregaçar a cabeça da véia com a Fender, um lance tipo Hendrix.
A adolescente classe média arranjou um maridão coroa que otimizou seus talentos e transformou a menina numa porno star. 35 mil sites cultuam a diva das 22 cirurgias: malares sintéticos salientes, beiços de colágeno, seios gigantescos, 3 kg de silicone implantado, comprimindo a caixa torácica e reduzindo a 1/4 sua capacidade pulmonar. Aos 30 anos, após dieta terminal de drogas e sopa rala, a musa morta foi enterrada sob os seios fartos, num caixão branco, vestida como debutante cor-de-rosa, com ursinho de pelúcia. Embora tenha abandonado o plano do carbono, ela continua a brilhar em múltiplos games de última geração, amando cada um de seus admiradores em zilhões de downloads mundo afora.
Tava oito meses beijando a mesma boca, o cara era pobre, favela, eu dava tudo, mandei andar. Fui pra balada, beijei um cara. Aí conversamos e num é que a gente tinha tipo muita coisa em comum, sabe, estudava na mesma facul, mudava o campus, só isso. Ele falou que era destino. Sei. Dei tchau. Tomei todas. Caí travada, gorfei. Lavei a boca. Beijei outro.
Conheci meu love num chat de paquera. Ela era de Milão. E-mails calientes. Inglês pelo messenger. Ela tinha webcam. Linda. Mandei foto scaneada. Ela disse que eu era lindo também. Arranjei uma câmera. Jantávamos juntos na frente dela. Mandei presente pra caixa postal. Lingerie e ursinho. Quis visitar. Ela disse não. Fiz rastreamento. Descobri que a gata trabalhava no portal. Ganhava em dólar. Mandava bem um inglês, sotaque italiano feito em Sampa mesmo. Disse pra ela tudo. Disse que perdoava. Ela ficou puta. Picou. Mudou de endereço, nickname. Domino a rede e fui atrás. Uns googles depois, dou com uma francesinha ruiva da porra. Lancei um vírus de aviso. Aí, fui lá em Guarulhos e matei ela.