15.4.08
Conrad
José acordou de repente no meio da madrugada com as janelas batendo e assobiando. Caía uma tempestade lá fora. Correu para fechar os vidros do apartamento. Primeiro, o quarto das crianças. Depois, o banheiro. A lavanderia já estava fechada. Pela janela da sala começava a entrar água da chuva, molhando almofadas, carpete e sofá. Não costumavam deixar aquela janela aberta. Fechou-a rapidamente e, sem puxar as cortinas, ficou mirando a tempestade. A ventania vergava as árvores da vizinhança. Fios de eletricidade balançavam loucamente. Nessa dança perigosa, fios enovelados entraram em curto, uma faísca, seguida de uma explosão na caixa de luz do poste. A ruela apagou imediatamente. O vento vinha de tudo que é lado. As poucas janelas acesas, na distância, fizeram-no pensar numa frota de navios em alto mar. Pensou nos livros de Conrad. No Moby Dick. Nos Piratas do Caribe. Sozinho no convés escuro, capitão de uma nau solitária, sem saber se era ele ou o mundo que ondeava.


criado por ciadaobesidade
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