Crônicas de Celso Cruz

Um blog dedicado a textos, crônicas e poesias de Celso Cruz.

30.3.08

Fim de Jogo - Hoje termina o Festival de Curitiba!

(Marcão e Gui, no palco do Mini-Guaíra, em ensaio da peça A Irmandade. 25 de março de 2008. Foto do Dill.)

Hoje termina o festival de Curitiba. Mais um tijolo numa longa história de sucesso. A nossa companhia, em 2008, com A Irmandade, completou sua quarta participação na mostra Fringe do evento. Em 2004, lá estivemos com Licurgo/Olhos de Cão. Em 2005, levamos Só As Gordas São Felizes. Em 2007, fomos com Comendo Ovos, Werther, Gorilas (e também levei produção de outra cia., Romance Barato).

Nesse meio tempo, tentamos participar da mostra principal duas vezes. Em 2007, com Sete Vidas de Santo (projeto que ainda não saiu do papel). Em 2008, oferecemos O Anjo da História, espetáculo que estreará em outubro, em São Paulo, no Centro de Cultura Judaica. Na primeira tentativa, nosso projeto estava mambembe. Na segunda, oferecemos maior consistência. Mas ainda não chegamos lá!

Nunca deixamos de nos inscrever no Fringe. Gostamos dele. Apostamos nele. Consideramos que ele é uma mostra fundamental do que se faz de teatro Brasil afora. É verdade que a aposta tem um quê de jogatina pura, pois no Fringe seu espetáculo divide palco com muitos e muitos outros e, algumas vezes, acaba se perdendo.

Há 3 tipos básicos de espetáculos no Fringe.

1)Os de companhias estabelecidas (ou razoavelmente organizadas) de todo o Brasil, que realizam trabalho de pesquisa e participam da mostra para testar seus espetáculos, dialogar com um público interessado, encontrar companheiros e batalhar mídia e olheiros de outros festivais, programadores, etc.
2)Espetáculos de grupos iniciantes que têm tremendo frescor e topam todas.
3)Espetáculos de Curitiba, num amplo espectro de gêneros, em especial as comédias de costume, e que durante o festival conseguem os melhores públicos e bilheterias.

Portanto, dividir agenda com tanta gente (em mais de 200 espetáculos) não é bolinho.

A Cia. Da Obesidade conquistou certa projeção graças a participação no Fringe. Mas, a essa altura, já não somos carne fresca. Assim, hoje nosso principal objetivo em Curitiba é estruturar nossos trabalhos. Dá um frisson todo especial preparar uma peça para Curitiba. Assim, ao final de março, já temos trabalho novo e pronto para enfrentar o ano. De quebra, ganhamos dias para reciclagem, revisão de processos e testes, muitos testes. A Cia. Da Obesidade tem mais uma grande razão pra participar do Fringe: amamos Curitiba, em especial seu centro, os passeios pela XV, o mini-guaíra e sua gente maravilhosa. Mais do que isso, é lucro.

 

Quem acompanha este blog sabe do que estou falando.

Como os eventos também têm vida, achamos o FTC em 2008 meio cansado e um pouco triste. Pode não passar de sensação, mas não sentimos de fato o mesmo ânimo na cidade, nos cafés, nos teatros. Também não ficamos a semana toda para acompanhar a evolução. Certamente, o fato do festival encavalar com a Páscoa mudou seu clima.

Como mesmo as fórmulas bem sucedidas evoluem, talvez o FTC pudesse passar por algumas mudanças no futuro próximo. Na mostra principal, considero que uma aposta em um teatro mais experimental, menos apoiado em grandes nomes, uma guinada para a radicalização seria bem interessante. Quanto ao Fringe, acho que ele merece também uma curadoria. Um modo de organizar melhor os espetáculos pela cidade, um modo de diferenciar melhor as intenções, processos e soluções de cada grupo, orientando um pouco mais o público que, soberano, faz suas escolhas.  Grades menos cheias também ajudariam. Trabalhar num teatro que recebe, em um só dia, 4 espetáculos, não é nada fácil!

 

Talvez assim o Festival voltasse a atrair a própria mídia, que tem participação, muitas vezes, burocrática. De todo modo, louvamos aqui os repórteres e críticos que garimpam espetáculos, que prestigiam, que são extremamente profissionais e realizam com dedicação sua dura labuta, sujeita a tantas intervenções. A mídia de cultura, assim como no teatro, também se mata por espaço!

Enfim, adoraria participar de um grupo que pensasse e sugerisse eventuais mudanças num evento que já é maravilhoso – e que eu, assim como toda nossa companhia – amamos com paixão.

É sempre muito bom rever grandes amigos e profissionais do teatro, técnicos, iluminadores, bilheteiros, produtores, diretores, atores… É sempre bom fazer parte de um evento que tanto tem colaborado para difundir o teatro, estimular sua produção, formar novas gerações de espectadores e artistas.

Em 2008, pudemos sentir nosso amadurecimento criativo. Foi excelente rever nossa trajetória em Curitiba – e o quanto o festival tem sido responsável por parte de nossas evoluções.

É uma honra, modestamente, com 7 espetáculos apresentados, fazer parte dessa história. Ao mesmo tempo, é um prazer inventar seu futuro, ao lado de milhares de outros criativos da arte que amamos.

Assim, desejando muita merda a todos os que participam dos Festivais de Curitiba e ainda mais merda para os responsáveis pela sua elaboração, me despeço de mais esta edição.

Que venha Curitiba 2009!

criado por ciadaobesidade    15:11 — Arquivado em: Sem categoria

Nenhum Comentário »

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário


Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://cronicasdecelsocruz.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.