Crônicas de Celso Cruz

Um blog dedicado a textos, crônicas e poesias de Celso Cruz.

29.3.08

Goteira

 

A goteira começou na quinta,

depois  que você foi embora.

Botei um balde no banheiro.

A teia no teto aumentava.

Derramei litros de sujeira

no ralo da lavanderia.

Sonhei que uma enxurrada

lavava meu desatino.

Pingo marcando compasso

no balde do meu banheiro.

Buda alcançou o Nirvana

morrendo na correnteza.

Bepois que você foi embora,

ninguém fechou a ferida.

 

criado por ciadaobesidade    21:13 — Arquivado em: Sem categoria

Depois da Estréia - Onde está Wally?

 

(Marcão fala da estréia, em mesa do Café do Teatro.)

 

Café do Teatro. A uma quadra do Mini-Guaíra. Segunda, 24, depois da estréia. Toda vez que vamos a Curitiba, acabamos no Café. Comemos a batata suiça, tomamos umas cervejas. Se estou cansado, como era o caso, tomo uma sopa  de capelletti. Nessa noite, Marcão e eu tomamos. Ele, com uma taça de tinto.

 

Corremos maratona pra chegar lá no  Fringe 2008. Condições duras de trabalho. Ensaios em ap. Todos com muitos compromissos.  A última semana foi decisiva (basta olhar posts recentes).

 

Não que estréia tenha sido aquela Brastemp.  Mas estávamos todos colocados e a platéia compreendeu. Se emocionou. E, aos poucos, as nossas fichas emocionais foram caindo. Dito de outro modo: nossas emoções encontraram leito.

(Guilheme argumenta. Sua salada estava ótima.)

Digo "emoções" porque A Irmandade mexe bastante com a gente. Com nossas imagens, fantasias e experiências. A gente como irmão. Filhos. Pais.

 

Um turbilhão que virou, nas palavras do Suchara, molécula de DNA. Que aproximou nosso grupo.

(Celso jibóia depois da sopa.)

 

Depois da Estréia, no café, conversávamos sobre todas essas coisas. Discutíamos um ou outro detalhe técnico da peça. No fundo afinávamos sensibilidades para a sessão do dia seguinte.

 

Ali, finalmente, a peça aconteceu.

 

PS: O Wally, nosso Dill Magno, batia as fotos com seu providencial celular. Para registro do menino, segue foto de outra noite, quando levamos o gajo para a estação rodoviária. No primeiro plano, eis nosso Wally!

criado por ciadaobesidade    9:47 — Arquivado em: Sem categoria

Virado Paulista

 

 

Margaridas do Lgo. do Arouche.

Azaléias do meio-fio.

Rosas do jardim de um sobrado.

Girassóis de terreno baldio.

Flores do campo da Dr. Arnaldo.

Orquídeas dos Jardins.

O buquê que fiz pra você.

 

(Caixa de Escorpião, p.75)

criado por ciadaobesidade    9:10 — Arquivado em: Sem categoria

VELA

Acende tua vela em lugar aberto, no quintal da casa, sempre em lugar alto, mais alto que você. Pega um pires no armário da cozinha, fósforos e a vela guardada para eventuais quedas de energia. Acende tua vela. A chama tremeluz na noite, facho mínimo por tua casa e pelos teus. Acende tua vela. Em nome de um ente querido encantado, do anjo da guarda, caboclo ou preto véio. Deixa escorrer lentamente a cera que purifica teu cotidiano e mumifica maus fluidos. Vai dormir sossegado.

 

(Caixa de Escorpião, p.69)

criado por ciadaobesidade    9:07 — Arquivado em: Sem categoria

REZA

 

Seja feita a vontade do pai, a cada noite em que você se deita e repete as palavras, cabeça no travesseiro, mãos em prece. Peça também a Nossa Senhora que te guarde e louve o fruto que o ventre dela desentranha em cada novo rebento. Mas se o sono nubla a paisagem de palavras e o murmúrio não alcança as alturas, os anjos carregam o recado. O pai está em ti. Ele que te invoca.

 

(Caixa de Escorpião, p.68)

criado por ciadaobesidade    9:03 — Arquivado em: Sem categoria

FITA

 

Lembrança do Senhor do Bonfim, a fita enrolada no pulso oferece três desejos. O mundo das coisas, o mundo dos sentimentos, o mundo dos espíritos, cada um requer uma chance. A cada um dá de beber um gole da bênção. Ata o primeiro nó, o segundo, o terceiro. A fita é uma barragem, acumula a energia de um rio, acumula a energia, acumula, até que os desejos madurem, rompam os nós e inundem.

 

(Caixa de Escorpião, p.67)

 

criado por ciadaobesidade    9:02 — Arquivado em: Sem categoria

Caixa de Escorpião

Tenho dois livros: Livro de Amor, Devoção e Outras Taras; Caixa de Escorpião. Ambos publicados pela editora Livros do Cão, do amigo e grande escritor Joca Terron. Como os livros estão esgotados, vez por outra vou colocar textos deles aqui no blog. Pra começar, material da Caixa.

 

VODU

 

Tem gente que seca, espeta prego enferrujado em boneca esfarrapada, enterra objeto pessoal dos outros em terreno baldio, afunda tufo de cabelo em travesseiro, deita olho gordo, quebranto - e as samambaias murcham e o emprego não sai e nem se encontra mais jeito de pagar o aluguel. Se proteger dessa gente. Fazer da alma poço de benesses para quem ama e fogo que anula quem constrói o mal.

(Caixa de Escorpião, p.66)

 

  

criado por ciadaobesidade    9:00 — Arquivado em: Sem categoria

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