Crônicas de Celso Cruz

Um blog dedicado a textos, crônicas e poesias de Celso Cruz.

26.3.08

Cineminha Mequetrefe

 

Personagens: o do cavanhaque, eu; o alemão, Marcão; o moreninho  invocado, Dill; mais o Gui.

 

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criado por ciadaobesidade    23:59 — Arquivado em: Sem categoria

Francisco (terceira parte - a capa do álbum)

 

Como prometido, a foto pra "capa do álbum".  Depois tem mais…

 

(Cruz, Freitas, Magno e Suchara, da esquerda pra direita.)

 

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criado por ciadaobesidade    21:22 — Arquivado em: Sem categoria

sexo oral

 

Amanhã acontece a última sesão da atual temporada de Sexo Oral, la no Bibi Ferreira.
Aproveito pra convidar todos os que passam os olhos por estas páginas digitais a comparecer.

O texto é meu, com direção de Eduardo Chagas, o grande Edú. Ator extraordinário e companheiro pra vida toda.

Conheci o Edu quando fui trabalhar com a Companhia Teatro X, do grande Paulo Fabiano. Nossos santos bateram de cara. Considero o Edú um dos atores que mais compreende e realiza os textos que escrevo, recriando-os com seus gestos e entonações de modo sempre original, divertido e comovente.

Fizemos já várias peças juntos. Com direção do Paulinho, ele atuou no Prometeu e no Cidadão (seu Ioda é inesquecível). Ele fez a luz do Calígula, em que Paulinho atuou. Depois, com direção minha, estava na primeira montagem de Sexo Oral. Ele e o Gui arrasavam (em pérolas como Comendo Ovos e O Homem Velho).

Nessa brincadeira, já devem correr uns 7 anos, por baixo.

Graças à garra do Edu, Sexo Oral continuou em cena. Ele montou novo elenco (um grupo que está afinadíssimo e que vale o ingresso), produziu e levou a peça, da Praça Roosevelt à Brigadeiro Luís Antonio. Não é tarefa fácil, não.

Ah… E o prazer que o Edu tem fazendo a peça.

E com grande sucesso. O público, desde as primeiras sessões da primeira montagem, adora a peça. Ri do começo ao fim e se diverte muito.

Para a montagem atual, forneci vários novos textos, acabei sugerindo uma trama que o Edu arrematou muito bem.

Ao contrário do que alguns podem esperar, Sexo Oral FALA de sexo. Das dificuldades que temos de viver nossa vida afetiva, que passa, viva!, pelo sexo. Falamos, muito, enfim!

Na peça, acompanhamos a trajetória de um casal, suas separações, encontros e desecontros, tentativas afetivas, transas, etc. No mundo do trabalho, nas ruas, nas lojas, nos motéis e nos elevadores. Tudo muito simples. Banal como eu, no mínimo.

Não sei se o Edu vai estender a temporada. Espero que sim. Espero, sobretudo, que vocês apareçam lá pra prestigiar. E pra aplaudir meu grande companheiro Edu. Se não bastasse tudo o que faz, o carinha é ator pra caralho.

Bom Sexo Oral!

 

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criado por ciadaobesidade    20:50 — Arquivado em: Sem categoria

Francisco (segunda parte)

 

(Se você chegou agora neste blog, sugiro que leia primeiro o post anterior, escrito meia hora antes e que emenda exatamente nas próximas palavras.)

 

Explico. Se você tem lido este blog, sabe que passamos a manhã de ontem andando pela cidade, catando folhas no parque municipal, batendo papo. Se estivesse por aqui, sei que você também cataria muitas e muitas folhas.

Depois, fomos almoçar na padoca perto do teatro. Almoço bem barato, no orçamento da companhia. Uma porpeta salgada que deu pro gasto.

Então, Marcão e Gui foram descansar um bocadinho pra depois ensaiar, Dill e eu fomos andar pela cidade mais um pouco. Passamos pelo Largo, na sede do Fringe, onde Dill trocou idéia com a moça da lojinha, que assistira a Irmandade na véspera. Ela disse que gostou muito.

Eu esperei um pouco por ali, fiquei vendo o movimento, passei na livraria do Solar do Rosário, acenei pra uns conhecidos, fingi que não vi uns outros, essas coisas.

Depois, Dill e Eu subimos até as ruínas, e dali descemos pra XV. Descobrimos que o Restaurante Padrino, tremenda cantina onde Marcão e eu almoçamos em 2004, só abria pro almoço, portanto a comemoração do jantar seria inviável.

No alto da XV, tomamos um café de coador e voltamos pro hotel. Chegamos três e pouco. No 404, ao lado do meu (406), Marcão e Gui ensaiavam. Podia ouvir bem suas vozes. Entrei e assisti um pouquinho de um canto. Tudo corria bem.

Os dois se entendiam ainda mais e eliminavam as travas que, na noite anterior, na sessão de estréia, atrapalharam principalmente Marcão.

Sossegado, fui pro meu ap, fiz barba, tomei banho, me troquei. Quando estava pronto, os atores também estavam tinindo pra ir pro teatro, pois nossa sessão seria às seis da tarde (horários de festival!).

Dill se reuniu ao grupo e fomos. O palco estava liberado pra gente a partir das quatro e meia. Guerreiro, o iluminador, reafinava a luz. Coloquei o CD do Taiguara e deixei rolar. Pedi que Gui e Marcão fizessem aquecimento.

Foi um momento de grande beleza. Gui ensinou passes para Marcão. Os dois pareciam praticantes de Taichichuan no recorte da luz do Guerreiro, uma geral muito sutil, com muitos claros e escuros, sob lindas melodias de Taiguara.

Num canto do círculo, sobre o palco, o banco da peça. Sentei e fiquei curtindo. A Daiane, incrível produtora do Mini-Guaíra que merece capítulo à parte, pois seu santo bateu com o da Cia e, quem sabe, ela virá trabalhar pra gente, ela que, já em abril, vai morar no Copan. Pois bem, a Daine sacou seu celular e começou a filmar a cena. Primeiro, captou imagens minhas no banco, bem sorrateira. Aí, foi se aproximando do Marcão e do Gui, os dois deitadões sobre o linóleo fazendo alongamento. O filme ficou lindo e esperamos cópia pra postar no YouTube.

Depois do aquecimento físico, pedi que Gui e Marcão fizessem o vocal, cantando Detalhes, de Roberto Carlos, música-chave da peça.

Estávamos prontos.

O público, poucos e bons, foi chegando. Dois jornalistas chegaram em cima da hora. A moça que conhecemos no restaurante vegetariano no almoço de segunda, que ganhou convite.

A sessão foi eletrizante. Aquela coisa do Peter Brook, teatro é a vida, com um pouco mais de intensidade. Os gestos cotidianos formavam uma suave coreografia, entre o humano e o desumano.

Gui e Marcão jogando francamente. Marcão, enfim, chegou à cena. E, aí, bom, aí sai de baixo porque o alemão é foda!

Gui e Marcão foram buscar a platéia, oferecendo silêncios vibrantes e um imenso prazer de estar em cena. Aos poucos, revelavam cada detalhe da intrincada narrativa, conduzindo todos às surpresas da trama e ao clima de profunda emoção que ela sugere.

A platéia aplaudiu ante do ponto final, entusiasmada. Atores emocionados. Gui agradeceu a todos e, principalmente, a nossos grande amigos e anjos do Mini-Guaíra. Depois, distribuiu aleatoriamente exemplares de meu livro Caixa de Escorpião.

Alguém abre a porta da cabine. Daiane, olhos vermelhos, diz que chorou muito e me abraça comovida. Eu é que agradeço o carinho!

Dois jornalistas chamam os atores. Conversam conosco. Dizem que gostaram muitos. Sugerem mínimos reparos. Enfim, colaboram. Coisa rara e tão fundamental pra gente.

Nos reunimos no camarim e fazemos uma primeira avaliação. Avaliação? A gente comemora, mesmo, com o pessoal do teatro.

Então, o grupo da próxima peça começa a chegar. Precisamos corrrer, dar espaço, o lava-rápido tem que continuar em ação. Catamos nossas coisas. Abraçamos os amigos. Guerreiro já está na escada afinando a próxima luz. Enfim, vamos embora.

Passamos no hotel para fechar nossas contas. Dill partiria ainda na noite de ontem. Os outros, hoje pela manhã. Eu, às 8h30, para Congonhas e pra escola . Marcão, pra casa da mama em SC. Gui, pra casa.

Tudo pago, fomos andar.

Deu pra percer, né, Walter, nossa compulsão andarilha. Familiar pra você, certo?

Fomos pro Largo da Ordem, tomamos cerveja e, aí, bem, aí você já sabe. Acabamos no São Francisco.

Dessa vez o Dill não encontrou nenhuma imagem do santo bacana pra comprar. Mas fez sua bela foto. Falando em foto, em frente a uma ruína do Largo, pedimos pra um casal de namorados tirar uma foto nossa no celuar do Dill.

Acabou saindo a foto do que seria, digamos, nosso Álbum, caso fossemos músicos, uma banda de rock, por exemplo. Logo vamos colocar nos blogs da Cia. É a nossa cara. Quatro carinhas feios, sujos e malvados na frente duma ruína.

Ah, ruínas… Mais uma vez, soa familiar, certo, Walter?

Walter Benjamin, deambulando entre as ruínas da história… Walter Benjamin, nosso anjo protetor… Walter Benjamin… Mestre e, de certo modo, me perdoe a intimidade, amigo próximo.

Afinal, estamos mergulhados até o talo no projeto O Anjo da História, sobre seus encontros com Bertolt Brecht, na Dinamarca, nos anos 30. O texto está pronto (quer dizer…Vai saber… Mas posso afirmar que temos um belíssimo ponto pra começar a levantar a peça) e só demos uma pausa no projeto pra erguer nossa Irmandade, que ficou tão bela e que nos leva de volta pra você e pra aquele outro invocado do Brecht com os bolsos cheios de tesão e de idéias. Mais unidos. Mais maduros.

Walter Benjamin. Você, pra mim, é um tipo assim de encarnação moderna de São Francisco.

Sei que, talvez, você achasse esse comentário despropositado ou místico e babaca demais.

Desculpe. É o que sinto.

Você conheceu a experiência da pobreza (da depauperação, pra ser exato), da humilhação, da luta contra forças estupidamente poderosas… Você fez isso como poucos, pensando, escrevendo, trocando de países.

Não precisamos falar em santidade, se você não quiser. Não é mesmo necessário. Talvez seja melhor pensar em quão vastos são os limites humanos e a tenacidade humana, pensando em pessoas como Francisco e você. Não é preciso ir mais além.

Não à toa, o Dill está desenvolvendo projeto sobre São Francisco, velho sonho dele que casa com velho sonho meu, de montar a vida do gajo. Lembro ainda da viagem que realizei faz tantos anos a Assis. Nunca senti uma energia parecida à que senti na pequena capela de São Francisco. A Fátima, minha esposa na época e companheira para sempre, pode comprovar.

Talvez, agora, tenhamos condições de começar mais esse projeto.

Por hora, vamos voltando aos poucos, com calma, para o Anjo da História, que estréia em outubro. Com Brecht, com Benjamin, com Kafka…

E, temos confiança, com as bençãos de Francisco.

Um grande abraço do seu

Celso

 

 

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criado por ciadaobesidade    20:26 — Arquivado em: Sem categoria

São Francisco (Primeira Parte)

Querido Walter,

Ontem terminamos no São Francisco. É. Alí no centrão de Curitiba. Você desce o largo da Ordem, atravessa a avenida e cai na Rua São Francisco. Ela está lá, mas poderia estar em Lisboa, em Salvador, em Santos, em Recife. Uma daquelas ruas estreitas e antigas, quase ruela. Embora a rua se estenda, alcançando lá embaixo as paragens do Guaíra, a primeira quadra é que interessa. É ela que é cápsula do tempo e do espaço. Você adoraria.

No meio da dita quadra da São Francisco, o São Francisco. O restaurante está lá há mais de 50 anos. Tem cara de restaurante português, inclusive tem alguns pôsteres de Portugal (Fátima) na parede, mas o garçom, com a autoridade de quem tem mais de 30 anos naquela lida, garante que a casa é espanhola. O cardápio oferece paella, a encomendar.

Também na entrada, em uma das portas envidraçadas, uma imagem do santo nascido em Assis, Itália, esculpida em madeira. O Dill, devoto, tirou foto com Francisco. Marcão bateu com o celular do D.Magno.

Estávamos com fome e ligeiramente altos, após umas Originais lá no topo do Largo da Ordem, do lado do Fringe. Em frente ao restaurante, uma funerária. Vi nesses dois dias ao menos três funerárias em Curitiba. Uma, estranhíssima, mais parecia buffet infantil. Na fachada, coroas fúnebres multicoloridas. Na garagem, veículos dos mais variados estilos para transportar o morto.

Aquela, não. Sóbria. Antiga. Tinha cara de cadeia ou hospital de Gothan City. Mais pra Asilo Arkhan, digamos. Gui, Marcão, Dill e eu voltamos à nossa fome, entramos no restaurente – únicos clientes no salão da frente, no fundo, bem no fundo, numa espécie de buteco além da sala de almoço e jantar, o dono batia papo com outro sujeito, um amigo, enquanto ambos tomavam uma cervejinha com amendoins e assistiam à final do Big Brother (Rafa ou Giselle?).

Pegamos uma mesa central. O senhor garçom trouxe o cardápio. No ano passado, Marcão e eu almoçamos no São Francisco e adoramos aquele clima de restaurante de verdade, onde você pode pedir, por exemplo, um bife à cavalo.

Na atual noite de terça, havia bucho. E o Guilherme ficou tentado. Precisávamos, entretanto, de comida mais básica. Eu e Dill dividimos um Filé Franciscano. Mignon coberto com queijo, arroz, feijão, batata frita e salada. Marcão e Gui misturaram uma massa com uma carne. Comeram uma chuleta (que o garçom chamava de comignon) com um… Ai, esqueci o nome da massa, uma prima do spaghetti, depois pergunto… Enfim, uma massa banhada na manteiga. Litros dela. Mais queijo parmesão. Marcão e Dill continuaram na cerveja. Fui pro suco de laranja e, depois, coca com o Gui.

Rimos muito. Aliás, continuamos a rir. Ríamos de bobeira desde o fim do espetáculo, às sete da noite. Ríamos de felicidade, pois a peça acontecera lindamente. A segunda sessão de A Irmandade foi o máximo. Quem viu, viu. Os poucos que conhecem nosso trabalho sabem do que estou falando (Por um momento, modéstia à parte).

Nas palavras de Marcão, tudo “encaixava”.

Tudo, Walter, tudo encaixava. Coisa rara, que aproveitamos com ardor.

(Continua…)

 

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criado por ciadaobesidade    19:34 — Arquivado em: Sem categoria

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