17.3.08
Brincadeira
Segunda-feira, 17 de março de 2008. 9h da matina.
Daqui a pouco tem ensaio. Não vejo a hora. Semana que vem, estréia A Irmandade, lá no Fringe de Curitiba. Já estou no embalo da estréia. Sei que os meninos também estão. Eu fico na maior ansiedade, tenso, irritado. Mais chato do que o habitual. E quem me conhece sabe de que píncaro falamos!
No processo d’A Irmandade, estou um trapo. Graças às diversas atividades que nós três, eu e os atores, precisamos ter, sobra pouco tempo pra ensaiar, às vezes o intervalo entre um ensaio e outro é enorme, e o ensaio em si é diminuto…
Fico muito tempo elocubrando e tenho pouco tempo pra agir… Bem, temos experiência nesse tipo de “organização” do trabalho. No fim, tudo se (des)arranja e a peça acontece. Mas a ansiedade, repito, é dureza.
A Irmandade, quanto mais trabalhamos e estudamos, exibe natureza atraente e difícil. Tem conteúdo complexo, com detalhes e sutilezas fundamentais sobre os personagens quarentões, escrotos, sim, mas com uma humanidade inflamada, que dói e não é moleza de mexer.
A forma da peça, o tempo contínuo em lugar fixo, os diálogos artificialmente próximos do falar cotidiano… A tentação do realismo mais chão… O medo da vulgaridade e da farsa… A mistura disso tudo, levando a um perigoso precipício, onde o trágico e o melodramático dão as mãos… Dureza!
Por outro lado, está evidente: mesmo que forma e conteúdo da peça conduzam a labirintos, a resolução cênica da Irmandade pede para ser muito simples. A teatralidade da peça é direta, o diálogo entre os personagens e com a platéia é claro, fincado na bandeira do humor e da comédia. É a comédia que embala, resolve, salva todo o resto.
É a capacidade de seduzir, de carinhar o público.
Talvez seja esse o segredo dessa peça. Da solidão intratável desses personagens, emerge um delicioso senso de sedução, e a capacidade de dar risada. Risada de tudo.
Nesta semana, a gente vai brincar com isso.
Merda!
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criado por ciadaobesidade
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