Crônicas de Celso Cruz

Um blog dedicado a textos, crônicas e poesias de Celso Cruz.

15.3.08

Belo é o Boal!

 

Descubro agora que amanhã Boal faz 77 anos.

 

Ontem, na minha carta pro Brecht, falei nele. Foi meio por acaso, num lampejo, súbita descoberta de sua importância também na minha vida, essa ínfima vida no meio das milhares de vidas que foram influenciadas pelo trabalho desse grande diretor e teórico do teatro do mundo.

Coincidência boa. Oportunidade de falar um pouco mais desse grande mestre vivíssimo e candidato de primeira ao Nobel da Paz.

 

Augusto Boal!

Lembro 1983, quando, pivete de 17 anos, entrei na ECA pra fazer jornalismo. Não entendia nada de nada. Moleque de tudo. Lá, não lembro em qual disciplina, se antropologia ou teoria da comunicação, sei lá, caiu do meu grupo fazer um seminário sobre o Teatro do Oprimido, de Boa. Tenho até hoje o livro de capa laranja da Civilização Brasileira – se bem que a capa está bem caidona.

Lemos, relemos, fiquei maravilhado. Foi lá (como disse ontem) que entrei em contato pra valer com o Brecht. Nem sei até que ponto Boal explicitava os links com o mestre alemão. Já faz tampo tempo. Mas o certo é que, anos depois, lendo BB, encontrei todas as correlações. O diálogo de ambos com Aristóteles, o estranhamento, o método do coringa, a crítica à catarse, essas coisas…

Fizemos, no seminário, um teatro do invisível. Estávamos naquela época em que, a qualquer momento, as aulas eram interrompidas por manifestações dos grupos do Centro Acadêmico, em especial, na época, grupelhos ligados à Libelu (Liberdade e Luta). Era um porre. Pois bem, inventamos uma entrada dessas em aula. Um de nós interrompe a aula e diz que tem questão de ordem pra classe, algo à respeito da limpeza dos banheiros da ECA ou coisa assim. Imediatamente, outros alunos embarcam e criam o teatro invisível. Uns, fazem reivindicações. Outros, criticam a iniciativa. Em momento chave, quebramos a ilusão e questionamos as relações. Tudo bem anos 80, tudo muito ingênuo, lindo, legal.

Tenho em algum lugar uma foto belíssima dessa turma, na sala da ECA, nesse tipo de viagem. Mal sabíamos que o turbocapitalismo e o neoliberalismo já estavam pondo a cabecinha no nosso rabo…

Estudei o raio do Boal. Li, reli, grifei. Até esqueci. Mas a coisa ficou marcada pra sempre. Com seu ideal de liberdade à moda brasileira.

Anos depois, estudei a trajetória de Boal. Li romances e biografia, textos esparsos. Os espetáculos maravilhosos do Arena, num grupo inigualável. A prisão, a tortura, o exílio. A volta. A força que nunca cessa. Aprendi, aprendi, aprendi. Continuo aprendendo.

É uma grande alegria ver e ouvir, hoje, na internet, o mestre. Belo, com seus cabelos compridos lindamente grisalhos. Suas palavras sempre bem sacadas. A força de ideais que continuam fortes e galvanizando gente em tantos países.

Longa vida ao mestre Boal. Evoé!!!

Muita alegria e felicidade em infinitos arco-íris do desejo.

Bj,

Celso

                  

                    http://soasgordassaofelizes.zip.net/index.html

 

criado por ciadaobesidade    19:43 — Arquivado em: Sem categoria

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