13.3.08
Ao mestre com carinho
O carinha lia o Metro na primeira fila da sala, bem na fuça do professor, fazia Sudoku sossegado enquanto o teacher se esfalfava, ali, ao alcance da caneta. O mestre estava cansado. Tem noites em que o peito dói. As pernas também. Um cansaço que deve ser coisa da idade ou coisa do estresse ou coisa do demo. Uma ansiedade que o hipericon não bate, nem a cochilada no metrô, de óculos escuros, sentadão, enquanto os menos felizes que não pegam o carro no ponto final se debatem. Nem mesmo a passadinha na velha livraria de bairro, uma das últimas das moicanas, daquelas que ainda têm estoque, e não essas modernas que têm milhares de exemplares de um mesmo best seller arranjados em complexas torres e construções pra lá de lúdicas e, caso você deseje, por exemplo, um livro menos cotado do Mario de Andrade, por exemplo, só mesmo pela internet. Acho que nem sexo dava jeito nessa coisa que incomoda. Bom, então fudeu. Dizem que depois de uma idade, mais ou menos a que o nosso personagem se encontra, as ereções são mais espaçadas e não assim tão poderosas e é preciso verificar a testosterona. Dizem. Mas o caso é que você, no fundo, ainda está em ponto de bala. Vai ver, é isso. E a impossibilidade do tiro. Livre. Direto.
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criado por ciadaobesidade
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