Crônicas de Celso Cruz

Um blog dedicado a textos, crônicas e poesias de Celso Cruz.

7.3.08

A IRMANDADE /ESTRÉIA

A IRMANDADE ,ESTRÉIA EM  MARÇO NO FESTIVAL DE CURITIBA

NO FRINGE,NO MINI -GUAÍRA . NÃO PERCA.

DIAS 24 ÀS 21:00HS E 25 ÀS 18:00HS 

 

A Cia. Da Obesidade apresenta:

A Irmandade

Texto e direção: Celso Cruz
Elenco: Guilherme Freitas e Marcos Suchara

Sinopse:

 

Madrugada no velório. Lucas, um vendedor, e Mateus, um padre, acabam de se conhecer. Os quarentões conversam amenidades. Descobrem que, em universos paralelos, ambos passavam as tardes da infância e da adolescência na frente da TV - ou curtindo filmes pornôs, em cinemas decadentes.

Mateus, em Curitiba, zanzando pela XV. Lucas, nas ladeiras carcamanas do Bixiga, em São Paulo. “Garganta Profunda” e “Qual é a Música?”. Linda Lovelace e Silvio Santos. Gretchen, Ronnie Von e Pablo. Marylin Chambers, John Holmes e Batman.

Circunstâncias mais estranhas também os envolvem. Afinal, quem é o falecido? Um ex-guerrilheiro? Qual é exatamente seu papel na vida dos dois homens? Quem é Madalena? Por quê ambos vivem crises tão profundas, tanto na área de vendas quanto nas suas crenças, valores e profissões?

Vidas, ideais e visões do Brasil estão em xeque. Afetos, tramas, delitos. A dupla dinâmica tem de enfrentar a sinuca de bico, com muito humor e emoção, na nova e surpreendente comédia da Cia. Da Obesidade.

 

Texto e direção: Celso Cruz.
Elenco: Guilherme Freitas e Marcos Suchara.

Release:

“Lucas: Já percebeu que o nosso mundo foi pras picas! Quem não morreu tá fazendo filme pornô! Dizem que até o gigolô do Silvio Santos não anda mesmo muito bem das pernas.”

O Brasil contemporâneo. As paixões desmedidas ou sufocadas. Os afetos encalacrados, com seus atos de carinho ou violência. Esses são os temas que a Cia. Da Obesidade persegue em suas viagens teatrais – que começam, sempre, na cidade de Curitiba, no Fringe.

 
Foi assim com Licurgo-Olhos de Cão, em 2004. Só As Gordas São Felizes ampliou o sucesso de crítica e de público em 2005. Em 2007, a companhia desembarcou na cidade trazendo na bagagem Comendo Ovos, Werther, Gorilas e Romance Barato, com grande repercussão.

Tudo isso, graças a uma dramaturgia provocante e original. A encenações enxutas, criativas, focadas na criação coletiva de atores extraordinários, que se esfalfam em toda a palheta das emoções humanas, sem pudores ou limites.

Em 2008, a companhia aprofunda seus temas e métodos com A Irmandade. Um espetáculo de uma simplicidade absolutamente rigorosa, que descobre humor e poesia no caos cotidiano.

Nesse universo de individualismo extremo, de competição e produtividade totais, existe alguma coisa, algum valor ou afeto que ainda nos una ou que galvanize nossa ações? Família? Trabalho? Política? Economia? Religião? Quais as histórias que podemos e queremos partilhar? Existe ainda alguma razão para isso?

Em especial, A Irmandade discute os valores e os destinos da geração que nasceu na manhã depois do golpe de 64. Aqueles que andam agora na casa dos 40. Que foram criados à base de Silvio Santos, filmes baratos, credos ideológicos, amorosos e coisas do gênero. E que assistem agora á ruína dessas utopias, tragadas pelo deserto do real.

 
Lucas, um padre com deslizes nada castos, e Mateus, um ex-professor de história que hoje vende próteses penianas, se conhecem no velório de um velho guerrilheiro. Lá, vão descobrir um caminhão de afinidades – e alguns detalhes sórdidos que os colocam no centro de uma verdadeira e imensa Irmandade. Da qual, talvez, todos nós façamos parte.

A Irmandade encanta com diálogos hilários e afiados, personagens angulosos e paradoxais, desses que a gente encontra em qualquer esquina – ou velório – do Brasil.

“Mateus: Um dia eu sonhei que um país era um grande pai que ia cuidar de todos os seus filhos.” 
 

 

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criado por ciadaobesidade    22:14 — Arquivado em: Sem categoria

Oportunidades - versão rara

 

Ele agradeceu, embora recusasse a oferta. O chefe negociou, garantindo que ele tinha perfil para o cargo. Ele abriu o jogo. Tinha dificuldades para mandar. Preservava valores que a mãe católica misturou ao seu toddynho. Adorava chegar cedo em casa. Escorpinanos mijam fora do penico. O chefe fez elogio. “As corporações de hoje precisam de gente como o senhor. Rara. Continue assim.” Abraço fraterno selou o encontro. Telegrama comunicou a demissão.

 

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criado por ciadaobesidade    14:04 — Arquivado em: Sem categoria

máquina do tempo

 

 

Ela estava morta. Ele entrou no quarto com palavras de amor entre os dentes e a faca na mão. Ele escolheu a faca de churrasco, depois de hesitar entre a faca de pão e a tesoura de frango. Ele acendeu a luz da cozinha, abriu a geladeira e bebeu no gargalo meia garrafa de água. Quantas vezes fizeram amor no sofá da sala? Quantas vezes mudaram o estofado do sofá? Ele entrou em casa cantando a canção do Cassiano e nem tirou paletó e gravata. Foi um dia de trabalho muito pesado. Saiu de casa cedinho pensando na mulher, mal escutava a canção do Cassiano que a rádio de mpb tocava. Passou a noite em claro, nem o rivotril ajudou. Depois da novela, enquanto escovava os dentes, a boca espumando, ela disse com todas as letras “não te amo mais.”

 

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criado por ciadaobesidade    7:43 — Arquivado em: Sem categoria

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