27.2.08
Ator Shakespeareano
Ator Shakespeareano
Mais uma pro meu amigão
Alô, tudo bem, preciso pegar umas coisas. Sei, vem. Rezo para um encontro de paz. Ela chega. Linda, calma, engraçada. Engraçado: nada como umas e outras na telha pra deixar ela engraçada. Sempre foi assim. Nem parecia que oito meses, oito meses, oito tinham se passado. Nem parece, caralho – foi o que deu pra dizer. E também nem parece que, ainda outro dia, noutro telefonema, disse que nada, nada, não me interessava mais nada da vida dela, nada. Como se uma brisa carregasse as palavras. Uma metáfora, entende? Nada muito profundo ou original, mas serve. Conversamos amenidades, círculos largos e bem distantes do olho do furacão. Aliás, eu também não tenho mais vestígio do velho olho de tigre, que me garantia em situações de estresse ou de amor arregaçado. O olho de tigre que ganhei em velhas sessões de cinema assistindo a películas do Stallone. Ele, o Stallone, por incrível que pareça, ainda encara uns Rambos e Rockys aos 60. Com louvor e bilheteria. Ou DVD pirata. Eu preciso correr pro trabalho pra fechar o mês. Não tenho Photoshop que me guarde. Nenhum filtro miraculoso. Então tá. Adeus. Adeus é muito forte. Nunca se sabe. Melhor assim. Sei. Vai, vai acabar de encher a telha, meu bem. Pego o Minhocão, de repente estou na Radial. Era pra parar no Bixiga, no meio de um monológo shakespeareano.
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criado por ciadaobesidade
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