12.11.07
RelÃquias
Relíquias
Não posso contar nada, nada! Nenhum detalhe. Mas como não entregar nem um naquinho dessa maravilha que é Harry Potter e as Relíquias da Morte?
Acabei de ler. As últimas 80 páginas eu li molhando o livro, de tanto que chorei! As cenas mais emocionantes de toda essa série inesquecível.
O livro é demais. Tem muita, muita aventura. Grandes reviravoltas. Respostas para os grandes nós da trama. Mortes. Amores. Personagens dúbios. Grandes confrontos e, principalmente, o mais aguardado de todos, o entre o menino-que-sobreviveu, Harry Potter, e o lorde das trevas, aquele-que-não-deve-ser-nomeado, Lord Voldemort!
Se Joseph Campbell estivesse vivo, certamente estaria debruçado sobre a saga do bruxinho, desvendando os fios míticos dessa incrível narrativa e espantando os chatos que torcem o nariz para uma boa história bem contada.
A saga do pequeno órfão que descobre pouco a pouco grandes poderes e, enfrentando desafios cada vez mais complexos, com a ajuda de mentores e amigos, para, mais do que se transformar em herói, realizar a trajetória do conhecimento pessoal e de integração em sua comunidade é um tesão!
Que satisfação! Passar a noite debruçado sobre um livro, página a página, capítulo por capítulo, com um prazer que, também pouco a pouco, se intensifica.
Penso em José Paulo Paes e seu ensaio maravilhoso sobre literatura de entretenimento. Penso nos romances que li com maior prazer na vida, sei lá, de O Pequeno Príncipe e O Menino do Dedo Verde a O Estrangeiro e A Metamorfose… De alguns livros de Stephen King, como O Iluminado, Carrie e Cemitério Maldito, à saga da médica-legista Kay Scarpeta, de Patricia Cornwell!
Um romance, ou seja, uma narrativa longa, pode ser muitas e muitas coisas, mas ainda é, pós-pós-modernismos, simplesmente, uma boa história, bem contada, com ritmo, personagens cativantes, reviravoltas, envolvimento e um final acachapante!
E que delícia quando uma história dessas galvaniza muitas pessoas, e você se sente sócio de um clube, a turma dos leitores malucos… Isso vale para o Werther, para o Quixote, para Harry Potter!
Enquanto eu lia o calhamaço de 590 páginas, algumas vezes meu filho mais velho chegava bem perto, observava a cena e perguntava quantas páginas eu tinha lido, ou quantas faltava ler. Então ele pegava o catatau e, do alto dos seus quase sete anos, conferia as páginas restantes, com ar de admiração, meio sem entender a situação: aquele pai paradão num canto com o nariz enfiado num livro!
Meu filho, que está em pleno processo de alfabetização, nessa sociedade das imagens e da internet, dos Power Rangers e do próprio Potter, que ele conhece dos filmes, olha com espanto o pai que lê.
Eu falo pra ele do prazer daquilo, da importância da leitura, do quanto se aprende, se vive e se conhece lendo. Ele já conhece o mundo das histórias não só por toda a mídia do mundo, mas principalmente pelas histórias que eu e a mãe contamos pra ele e pro irmão, seja apoiados em livros, gibis, por memória ou invenção.
Toda noite, quando não estou trabalhando, e eles exigem que eu os leve pra dormir, apagamos a luz do quarto, eu me deito na cama do menor e conto as histórias que eles escolhem.
Pode ser uma aventura do Quarteto Fantástico ou do Incrível Hulk, do Batman ou do Super-Homem… Esses heróis de quadrinhos que eu li e colecionei toda a vida. Ontem, foi um resumão da saga de Potter, sem o final, pois eu ainda não tinha terminado.
Hoje de noite, se eles quiserem, contarei o final da saga. Não importa. As crianças gostam das boas histórias. Que desejam ouvir e ver infinitas vezes, sem pudor, se entretendo e emocionando sem parar.
Espero que logo meus filhos leiam cada um dos livros de Harry Potter, e Monteiro Lobato, e muitos, muitos outros, sem falar em Camus, Ésquilo, Shakespeare, Moliére, Clarice, Joyce, Mutarelli, King e tantos outros. Os livros estão espalhados pela casa, ao lado das espadas de Power Rangers, dinossauros, papéis, canetinhas, etc
Lembro de Indiana Jones e a Última Cruzada, e na maneira engenhosa como, lá, fica provado que a pena vence a espada (revejam e relembrem).
Mesmo quando o mundo parece cair, ler é uma maneira maravilhosa de ser feliz. E, mais do que isso, ler é uma das melhores maneiras de impedir que ele caia!
Viva J.K. Rowland! Viva Roni, Hermione e Harry Potter!
Viva a literatura!


criado por ciadaobesidade
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